Por Pedro Martins
Uma cesta básica. Essa é a forma pela qual pescadores que foram atingidos pelo incêndio no terminal da Ultracargo, no porto de Santos, foram reparados – devido ao acidente, cerca de 10 toneladas de peixes mortos foram encontradas no canal e a atividade pesqueira está temporariamente interrompida. O Terminal de Pesca de Santos (TPS) vem funcionando como depósito e centro de distribuição para as 2.500 cestas disponibilizadas pelo Ministério da Pesca.
A iniciativa teria surgido a partir de mobilização da prefeitura de Cubatão e da secretaria municipal do Meio Ambiente, que articularam com contatos em Brasília. No entanto, a Ultracargo, empresa responsável criminalmente pelo desastre ambiental, participou da ação, fornecendo caminhões para o transporte das 58 toneladas de alimento de Bauru ao litoral paulista. Assim, paira no ar a dúvida: a quem realmente interessou esse tipo de medida?
A equipe de Comunicação do Instituto Maramar foi ao terminal para conferir como estava sendo feita a distribuição. A falta de estrutura, tanto de pessoal quanto de espaço físico, era notória e comentada pelos profissionais que atuavam no local. Uma das maiores preocupações era não conseguir distribuir todas as cestas antes que os alimentos ultrapassassem a data de vencimento. A previsão é concluir os trabalhos até o fim do mês.
Até as 12h30 desta quarta-feira (24), somente 1.300 cestas foram entregues, ou seja, pouco mais da metade. Muitos pescadores relataram não terem grande interesse no “benefício”. Os custos de perder um dia de pesca e se deslocar ao local acabam não compensando o arroz, feijão e óleo oferecidos. Ao que tudo indica, vai sobrar alimento.
A princípio, o público-alvo seriam apenas os pescadores artesanais da região que tiveram que parar de pescar por causa da mortandade do pescado. Mas o critério foi ampliado para abranger também pescadores industriais, tendo em vista que, com a dificuldade de sistematização dos cadastros desses profissionais, muita gente poderia ficar de fora da lista.
Mesmo assim, a falta de documento que comprova a atividade profissional de pescador acabou fazendo com que algumas pessoas não pudessem receber os alimentos.
Para o diretor do Instituto Maramar, Fabrício Gandini, “essas situações demonstram a falta de planejamento por parte da esfera pública”. Mais do que isso, continua, “demonstram a maneira atabalhoada e até humilhante a que devem se sujeitar esses pescadores, que são responsáveis pela produção de alimento de alto valor nutricional”. “Chega a ser revoltante pois a ação nada tem a ver com reparação de danos difusos e coletivos”, desabafa.
Enquanto isso, o MARAMAR continua na luta pela reparação dos reais danos aos ecossistemas costeiros e aos milhares de pescadores e pescadoras artesanais.





